As paredes e o Biocurso

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Em junho, iniciamos a confecção das paredes de vedação da Morada Ecológica. Tivemos a idéia em montar um Biocurso, onde oportunizamos a troca de conhecimento e de serviços, favorecendo o aprendizado coletivo e a prática permacultural.

Com 13 amigos desenvolvemos a técnica de papel marchê, que consiste em montar uma armação com ripas de bambu, um trançado de linha de algodão para fechar os vão maiores e, por fim, fazer o grude (farinha de trigo+água+vinagre) e passar sobre o papel kraft (conseguido em mercados da região) e colar sobre a armação. No decorrer da atividade a polêmica foi gerada em torno da durabilidade de uma parede deste tipo. Pelo lado interno não haverá problemas, pois a morada tem boa ventilação e insolação, porém pelo lado externo (uma parede com face sudoeste) receberá um tratamento com impermeabilizante natural. 

parede-pauapique

Prosseguindo com as atividades, depois de uma aula teórica sobre os diferentes usos de terra na construção, iniciamos a confecção da parede com outra técnica vernacular, o Pau-a-pique. Inovamos esta técnica para facilitar a montagem e colocação das garrafas de vidro recolhidas durante o verão em toda a praia, pelo amigo e reciclador Sr. Maurílio. Percebam que utilizamos alguns troncos para “enfeitar” nossa parede e tela de plástico para auxiliar na fixação das garrafas e na colocação da argamassa feita com terra (areia+argila) e estrume de vaca.

Para trabalhar com a terra são necessárias algumas iniciativas para melhor distribuir as moléculas de argila, que consiste nas seguintes etapas: peneirar; misturar os ingredientes – neste caso optamos por fazer um buraco no chão, colocar 3 partes de terra peneirada para uma de esterco fresco e água até a mistura começar a soltar do chão; e, utilizar os pés para misturar todos os ingredientes.

A colocação da massa junto com as paredes é uma atividade divertida; a terra nos permite sentir emoções, liberar energias contidas, cantarolar, criar e principalmente com a técnica do pau-a-pique desprender-se das linhas retas e cartesianas tão solicitas na cosntrução.

Logo abaixo virão o texto da participante Manuela Gasparoto sobre o Biocurso.

Nasce quase a Lua Cheia na Praia da Ferrugem. Vida, fogueira, muita energia incendeia a vivência permacultural.
Primeiro dia compartilhado por seres, alguns, primeiro olhar. Sintonia já sentida, provada e saboreada no tempero. Hermana amiga, nome de flor, cheiro, olor que emana da refeição que alimenta a vida.
Troca de idéias, olhares, confissões pelas construções, pátios, casas… Euforia! Humanos em evolução compartilhando a dor que não se sentem.
E depois, o descanso num sossego que chega sem fim, sem prazo, num sopro. Chovem ventiladores pelos quartos enquanto mentes inquietas repousam acordadas. Sonora masmorra embotada.
O sol reaparece junto à mesa do café. O chá pra todos, servido e resguardado para outro ser. Divisão do pão partilha que acontece e enaltece os irmãos e suas mãos.
Sol posto no chão batido, paredes alternativas erguem-se pelos quatro elementos. E o vento, anuncia a metamorfose dos dias e saúda os amigos na despedida.
Que este chão pisoteado e clamado seja terra firme e pouso alegre para muitos que virão e transformarão a soma dos dias… permaculturalmente sempre!
Muita luz, paz e amor!