O Brasil, no que se refere a esgotamento sanitário, está bem atrasado com suas instalações sanitárias, onde apenas 50% da população possuem sistema de tratamento de esgoto. Sabe-se que o esgoto é despejado muitas vezes in natura nos corpos d’água e no solo, comprometendo a saúde da água.
Os sistemas de esgoto utilizados, ditos convencionais, se enquadram em duas categorias: redes de esgoto transportados com muita água, para centrais de tratamento coletivo; e sistemas de fossa séptica seguido de sumidouro, instalados próximos de onde o esgoto é gerado e muitas vezes onde o lençol freático está próximo à superfície.
Os sistemas de coleta e Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) centrais podem ser substituídos por sistemas menores e/ou individuais dentro de princípios da sustentabilidade que pode atender populações remotas e/ou carentes, sem gastos de energia e integrados ao ambiente. Estes sistemas poderão ser pelo método de Zona de Raízes ou por Bacia de Evapo-transpiração.
A ETE por meio de Zona de raízes é um sistema com base em solos filtrantes e estruturado com uma camada de filtro radicular. É indicada para locais onde possuem corpos hídricos para descarte da água residual já tratada.
A bióloga Tamara Simone van Kaick - em sua dissertação de mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Tecnologia, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná – descreve a ETE por Zona de raízes da seguinte forma: o efluente passa primeiro por uma fossa séptica e depois é lançado por meio de uma rede de tubulações para a ETE, está isolada do solo. As plantas que formam a zona de raízes devem ser plantadas sobre um filtro físico estruturado por uma camada de brita n° 2 ou conchas, de 50 cm de profundidade. Após esta camada de brita encontra-se outra camada do filtro, composta de areia que ocupa o espaço de 40 cm de altura entre o fundo do filtro e a camada de brita. No fundo ficam acomodadas as tubulações que captam o efluente tratado, conduzindo-o para fora da estação. Geralmente a ETE possui uma área de 0,45 m³/pessoa.
As espécies de plantas utilizadas poderão ser Typha latifolia, Typha domingensis e Crinum salsum que são consideradas plantas nativas e/ou cosmopolitas. Mas existem outras de zonas pantanosas mais conhecidas, porém exóticas como a Juncus sellovianus, Iris pseudacorus, Cyperus papyrus, etc.
As raízes fartas em forma de cabeleira fixam bactérias que recebem oxigênio e nitrogênio conduzidos pela planta por meio dos aerênquimas do caule até as raízes. Esta simbiose existente entre o vegetal e microrganismo (bactérias aeróbias) é o princípio que permite o tratamento desta ETE. Em troca, as bactérias decompõem a matéria orgânica, transformando-a em nutrientes que são repassados às plantas.
Nos sistemas convencionais de tratamento de esgoto, o processo de decomposição da matéria orgânica libera gases que produzem mau cheiro (sistema anaeróbico). No caso da zona de raízes, o mau cheiro é evitado porque o 1° filtro composto pelas raízes trabalha com a presença de oxigênio, evitando os gases que promovem o odor desagradável, e na 2° camada do filtro com brita, o tratamento é anaeróbio, mas como esta camada fica abaixo da primeira, os gases são filtrados pela zona de raízes, o que não permite a saída de odores característicos do tratamento de esgoto doméstico.

Figura 1- Esquema da ETE por meio de Zona de Raízes (fonte: van Kaick, 2002)
A ETE por Bacia de Evapo-transpiração trata-se de um sistema fechado onde não há infiltração de água no solo ou descarte em corpos hídricos. As águas servidas são totalmente evaporadas pelas plantas.
Consiste num sistema tipo “três em um” – fossa, filtro e sumidouro, ou melhor, é formada por uma bacia que contém uma câmara, uma camada com os leitos filtrantes e outra de terra fértil com plantas.
Na parte inferior da bacia localiza-se a câmara receptora, para onde é encaminhado o efluente e onde ocorre a digestão anaeróbia. De forma ascendente o efluente passa por um filtro composto por diversos materiais – com granulometria decrescente: brita maior, seixos ou entulho limpo, brita menor, areia média; mineralizando-o e, assim mais uma vez, eliminando os patógenos. Entre a câmara e as camadas filtrantes existe um fundo falso de concreto e sobre este é colocado uma manta tipo “bidin”. Após as camadas filtrantes coloca-se terra fértil no qual se plantam espécies vegetais. Estas plantas irão descer a procura dos nutrientes disponíveis e da água residual.
As plantas que formam a Bacia de Evapo-transpiração são aquelas com raízes rasas e folhas grandes, as quais possuem muita área de evaporação, por exemplo, as taiobas, bananeiras, etc. O dimensionamento comum da bacia é de 2m² por usuário, com profundidade padrão de 1 metro, geralmente com formato retangular ou quadrado.

Figura 2- Esquema da ETE por Bacia de Evapo-transpiração (arquivo pessoal)
Conclui-se que estes sistemas são alternativos aos sistemas convencionais para tratamento de esgoto, que promovem um desenvolvimento social e econômico e o combate aos problemas de saúde pública. Em ambos são utilizadas plantas que buscam o excesso de nutrientes, em que na Zona de raiz promovem a limpeza da água, onde poderá chegar a 90% de pureza, e na Bacia de evapo-transpiração além da limpeza também como descarte final da água.